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Mostrando postagens de agosto, 2024

O HOMEM MÉDIO

 Me acontece cada uma. Veio um amigo antigo, ele esperava encontrar-me esquecido do que fui no passado. Esclareço: estive doente da alma. E ele trouxe de presente a mim um texto encadernado, que eu li. Achei mal escrito. E pensei comigo: me encontrar tal e qual eu era, eu mesmo sei que mudei muito. Mas ele esperava me encontrar como um maluco. Na juventude a gente erra. O que observei foi a má vontade dele em me conceder o perdão.  Mas considerando a palavra perdão, ela é muito mal entendida pelos homens que conheço, os homens que chegaram comigo ao século XXI. Então me decidi: porque não vão todos eles ler mais para escrever. Digo isto porque eu passei a vida lendo para escrever. E firme estou aqui, escrevendo e publicando.  Agora me ouvir nenhum dos que me acusam querem. Então transformo esta surdez que acontece da parte dos meus ex-amigos, em assunto deste meu dia de hoje. O auxilio que me vem é da minha família. E eu, que para alguns dei força, recebi muita ingratidão...

PENSAR NA VIDA

Eu, ultimamente dei de pensar na vida, e descobri uma coisa. Me perguntei em pensamento se existe alguém que consegue ficar sem pensar em nada. E me respondi que acho que não. Geralmente escuto a pergunta: - Fulano, em que está pensando? E vem a resposta: - Em nada, não. Esse nada não esconde muita coisa. Muita coisa que se acontecesse por exemplo com um escritor, poderia ser transformada em Literatura. E se o individuo dono do nada souber realmente a arte da escrita, seria a raiz de coisas belas.  Quando leio algo como os pensamentos de Pascal, por exemplo, penso que havia tanta coisa bela ali. E que Pascal soube preservar e chegaram até nós. Um homem tido como a mais banal das personalidades, se faz arte literária às escondidas, sem alarde, de repente pode passar a ser visto como um gênio da língua. Os que dizem que tudo é relativo, me deixam pensativo. Pois se todo for realmente relativo, relativa é a existência humana. Porque pelo menos no meu pais, as pessoas tem uma facilidad...

SEI LÁ, SENTI QUE É HORA

Não aconselho a ninguém fazer como eu fiz. Mesmo porque eu rumei sem rumo a vida toda. Comecei com uma simples carta que era endereçada assim: "A quem interessar possa." Claro que hoje eu compreendo o endereçamento da carta. O homem que a escreveu viu diante dele eu, que era um menino precisando de emprego. Podem não acreditar, mas eu vinha da minha terra natal onde meu pai faleceu. Não falo do falecimento dele para comover, mas para lembrar que um pai orientando é importante. Minha mãe logo arranjou colocação como enfermeira que era no duro mercado de trabalho. Meu pai tinha deixado a casa. E nós éramos sete filhos que ela criou e orientou. A história é longa e eu a acho bonita. Pois éramos todos responsáveis. E vimos que o mundo não perdoa. Mas aprendemos a lição de estar nele, e hoje estou aqui. Eu perdi três irmãos. Entre irmãs e irmão. Por último perdi minha mãe. Por último estive adoentado e melhorei bastante estes dias. Devo minhas melhoras a muita gente e aproveito a ...

SILÊNCIO MEU

Escrevi sobre o arrependimento. E lá para finalizar a postagem eu dizia do lema VIVER E CONVIVER. Era um lema que foi divulgado por um canal religioso. E o veículo de divulgação do lema era a TV. Simplesmente tiraram do ar o lema. Eu não me esqueci do lema. E agora que vejo a hora que vivemos, digo, a hora é política. Então não nos cabe misturar as coisas. E vou dizer aqui, o lema é bom, e cabe nas nossas leis, por enquanto. Por enquanto, porque temos uma constituição cidadã. Não é de hoje que se fala lá nas alturas de uma nova Constituição. Eu fico pensando, o povo brasileiro tem suas obrigações diárias. Saí muitas vezes cedo de casa para chegar no trabalho. Claro, no caminho compra um jornal e lê. Mas não são todos que o fazem. Em resumo, mesmo assim, a maior parte do povo brasileiro é gente boa. E falo sério, no sentido de que cumprem suas obrigações, no sentido de que respeitam  as pessoas, e no aspecto religioso se esforçam para "Amar o próximo como a si próprio." Agora,...

EU ME AMO

 Fui tomar café da tarde e lá encontrei a irmã da D. Zózima. D.Zózima é a empregada aqui de casa. E uma vez eu a chamei de empregada e ela me respondeu: - Verdade verdadeira. Ela às vezes é divertida, mas no mais das vezes é muito séria. Para dizer a verdade ela é mesmo muito séria. Se divorciou outro dia mesmo, e agora vai casar a única filha que ela tem. Depois do café da tarde, fiquei só, fiz hora até poder jantar. E enquanto jantava eu pensava: - Eu me amo. D. Zózima e a irmã dela, já tinham se retirado. E como estou adoentado ela fecha a casa por fora e leva a chave. Fiquei pensando então em mim. Eu passei por muitos sofrimentos. Só digo isto agora para que possam imaginar o que passei. E foi conversando exatamente com D.Zózima que a estes tormentos eu me referi. E nesta conversa, eu disse: - Mas eu não gosto de remoer as dores. Não remoo dor nenhuma. E vou vivendo. E pelo que sou e chego a ser hoje, um escritor, três vezes acadêmico, tenho vida boa. Ou como disse dona Zózima ...

DO ARREPENDIMENTO

Tenho ouvido e notado que nunca se falou tanto do arrependimento. Que vim e resolvi escrever sobre o arrependimento. Para quem já se arrependeu de tantas coisas e sabe o que é o pós-arrependimento eu me parece ser fácil tal escrita. Mas não é, acreditem-me. E aqui estou, eu crescido enquanto pessoa. E não vou dizer que não ouvi algo sobre agora mesmo. Porque ouvi e dei opinião sobre o arrependimento. E minha opinião me saiu sem nenhuma dor. O que me torna para mim mesmo muito próximo daquela pessoa sinceramente arrependida. E lhes conto uma coisa, posso dizer que o jugo me é fácil de suportar. Claro, a gente se arrepende mas não se esquece. O que é saudável, porque aí a gente não repete o erro. E podem perguntar se eu repeti meu erro. Ou se, ao menos em brincadeira sugeri vontade de errar. Claro que não e por isso vivo em paz comigo mesmo. Agora todo arrependimento autêntico e sincero os outros não notam porque não querem. Não me venham com essa de que não notam porque os credos religi...

FILÓSOFOS AMAM

 Eu cursava Filosofia. Sentimentalmente estava para baixo. Até que conheci uma moça de quem me aproximei. Me aproximei dela por uma destas sortes do acaso. E isto resultou em um merecimento da vida, o de nos apaixonarmos. E acabamos ficando noivos. O pai dela simpatizou comigo. Isto foi bom para mim, eu e o pai dela fizemos camaradagem. E ela conversava muito com o pai dela. Nosso noivado foi durando, atravessando obstáculos naturais da vida. E eu cada vez mais entregue a ela. Dizem lá na minha terra que uma mulher faz o homem. Eu cria nisso, mas nunca paguei para ver. Desta vez, porém, lá estava minha noiva a me satisfazer cada vez mais. E ela saiu Filósofa. E eu saí Literato. Estive com ela, e ela me disse: - Não tenho queixas. Quer o leitor saber a que vim? Simplesmente a dizer que não me apaixonei outra vez. Vivo aqui comigo e já sou idoso. E nem namorada eu tive depois dela. Mas saudade eu tenho dela. E saudade, como a definem os que sabem o que é, é o amor que fica. Não, não ...

BOAS PESSOAS

Todos nós procuramos deixar um local com uma impressão sobre nós que seja boa. Este local pode ser o de trabalho, coisa hoje em dia difícil, por causa da competição. Mas se não precisamos mais ir trabalhar, por causa da aposentadoria, não devemos pensar que podemos fazer o que queremos. O que queremos pode ser ir além dos limites. E nunca uma boa pessoa, no mundo de hoje, deve tentar passar dos limites. Quanto a isso, é só. Comigo aconteceu uma coisa inverossimel, eu me casei com uma colega de trabalho. E ela me largou por outro. Eu me meti nos estudos e quase completei o curso de Filosofia. Mas troquei a Filosofia pela Literatura. E uma parenta minha me perguntou: - Literatura dá dinheiro? Eu não estava desavisado. Sabia muito bem que de Literatura poucos sobrevivem. Mas minha mãe, uma mulher religiosa e de coração mui generoso , me acolheu. E me disse: - Não escreva nada agora. Ao que eu atendi. E só depois que ela me viu convertido ao catolicismo, religião da família dela e que ao p...

VIDA E PECADO

Antes de vir morar na capital mineira, deixei atrás de mim uns primos. Eles eram filhos de um irmão de minha mãe. Este homem, meu tio, gastava o dinheiro que ganhava com bebidas. E os meus primos, depois que ele morreu se viraram. Decerto compraram casa. Exceto um, que foi viver no Rio de Janeiro, com umas irmãs pobres da mãe dele. Hoje eu penso aqui comigo, que culpa temos nós? Pois, eu notei que na formação deles como pessoas esses fatos foram marcantes. Não deixam de ser boas pessoas, que tem religião, mas comigo encontram um pouco de dificuldade na convivência. Isso se trata deles enxergarem-me através de meus defeitos. Eu aqui e agora pergunto: quem não tem defeitos? Eu os suporto educadamente, e só. Como no mundo do trabalho pessoas me suportaram e eu suportei outras. Quem já trabalhou sabe bem como é conviver no trabalho e chegar em casa, tomar um banho e jantar, e ir ver televisão. Ou ler algum livro. Já que falei de livro, e trabalho. Vou dar um palpite. Quem lê muito pode não...

TRANSEUNTE, o jornal

Quando eu cheguei à capital mineira, fiz concurso para o colégio municipal Marconi. Já lá estudando vi as facilidades de se fundar um jornal mimeografado. Tinha feito camaradagem com outros três colegas. E dei a ideia para fundarmos o jornal TRANSEUNTE. O título era inspirado na minha experiência como Office-boy. Que na época era um ofício que exigia de nós os office-boys que andássemos muito pela cidade. E o jornal mimeografado com o apoio do vice-diretor do colégio não passou do primeiro número. Nós os quatro fundadores daquele jornal estamos por aí, sobreviventes. Cada qual com sua sorte. Mas hoje estamos todos bem, que é como se diz de quem já pode descansar com folga e podendo pagar suas contas. Eu não me esqueço do Transeunte. E quando me pedem um currículo para ilustrar a minha apresentação em algum texto que escrevo, eu o cito. Um imenso carinho eu tenho pelo jornal, por isso o cito. Aquela foi uma época em que eu sonhei bastante com as letras. O caminho foi difícil. Hoje posso...

EU SOU UM HOMEM FELIZ

 Eu disse há pouco que a chefe gostou de mim. Mas é um dito não maldoso. Não me referia a gostar nem no sentido de amar, nem muito menos de ficar. Porque hoje as pessoas usam o verbo amar sem aquele sentido pleno de estar apaixonado. E usam o verbo ficar no sentido de fazer sexo. Nos dois casos, pode-se exigir explicação de quem pronuncia a palavra. Quando eu disse que a chefe gostou de mim, quis dizer que a chefe gostou do meu serviço, do meu modo de trabalhar, e de tudo o que isso implica. E é por isso que hoje eu tenho meus livros. Tenho minha escrita e onde publicá-las. E para que entendam escrever e publicar foi um sonho meu desde os tempos de menino. Mas, vamos falar agora de felicidade. Felicidade a gente procura é a vida inteira. Eu amanheço e me preparo para viver mais um dia. E vejam com estou, estou bem com a vida, e bem comigo. E para mim é isso que importa. Os outros eu não sei. Se eu fosse novo e estivesse me decidindo eu viria para junto de minha mãe. Mas tive de enf...

VIVI ANOS NA CAPITAL

Quando cheguei à capital, procurei emprego, e na minha primeira tentativa saí de lá com uma carta endereçada nada mais, nada menos a quem se interessar possa. Saí de lá um pouco triste, e me recomendaram que fosse ao Ministério do Trabalho. Eu fui e me indicaram à uma empresa que me empregou. E nessa empresa sofri meu primeiro choque, lá havia uma estudante de direito. E ela me veio como minha chefe. À princípio ela não gostou de mim, o que fiz? Me empenhei mais no trabalho. E no final de tudo sai de lá para um emprego melhor, com um abraço dela. E muitos anos depois, me coube ir àquela empresa. Chegando lá reconheci a moça que ficava na tesouraria. Perguntei pela Auxiliadora, a que tinha sido minha chefe. A moça da tesouraria me disse que a Auxiliadora tinha se formado e era naquele momento advogada do governo. Mandei meus parabéns a ela.  É sempre bom desejar o bem às pessoas. Eu não deixei meu primeiro emprego ressentido, de jeito nenhum. E hoje aqui lembrando me sinto feliz, no...

MORO NUM PAÍS CONTINENTAL

 Mas, é verdade, eu moro num país continental. Já sabia disso quando estudava em São João del-Rei. Andei um pouco por terras brasileiras. Mas, claro, não deu para conhecer o país todo. Andei pelo meu estado e posso dizer agora que nunca saí de Minas Gerais. Portanto, sou mineiro e tenho a alma mineira. Outro dia estava conversando com um homem do povo e eu disse a ele: - Em mim as letras vieram tarde. Ao que ele respondeu: - Mas isto é poesia. Depois fiquei sabendo que ele já viajara quase a vida toda dirigindo caminhão pelo Brasil. E realmente ele é um motorista excelente. Sei disso porque várias vezes precisei ir ao médico na capital mineira e foi ele quem me levou dirigindo o carro dele. E vivo aqui, na cidade de Moeda, onde há muitos motoristas de automóvel. E eu só conheço ele e outro. Ele, o de que falava, se mudou daqui para outra cidade, também de Minas. E, por falar de Minas, eu vou aproveitar a oportunidade para citar uma frase, a que diz que Minas são muitas. Eu já não m...

SOMOS PEQUENOS

 A despedida de minha mãe, em relação a mim, foi mais ou menos longa. Estava eu sem posse alguma, e ela me disse: "- Meu filho, um dia eu vou morrer." E por que ela me disse isso? Simples, verão ao me ler. Eu vivi no mundo e me vi ali, divorciado, sem ter para onde ir, nem mesmo onde morar. Ela, minha mãe, me acolheu. Me deu morada, a mim que via o mundo naquela época, final do século XX, como um mundo onde valia a visão materialista. Mas a visão do materialismo vulgar, como falam os marxistas. Não era o caso, o caso é que as pessoas sempre estão querendo mais posses. E olhava o mundo, e a quantidade de desvalidos só aumentava. Foi quando ela me disse: - Meu filho pródigo, ouça, somos muito pequenos. E me pediu, depois que ganhei meu segundo prêmio literário: - Não escreva nada agora. E eu obedeci. À minha mãe eu devia obediência. E agora que minha irmã caçula é minha tutora, a quem mais eu devo obedecer, à minha irmã caçula. E aqui estou obedecendo. Mas minha irmã caçula me ...

MINHA MÃE

Pouco antes de minha mãe morrer ela me chamou e disse: - Você não tem muita coisa, só seu mundinho e o que lhe deixo. Eu olhei para ela, o que eu pensei foi que pobre mãe, preocupada comigo até na hora de partir. Mas para que não pensem que minto eu conto mais uma coisa: ela viva estava sempre cantando uma canção sobre o filho pródigo. Canção esta baseada na Parábola do Filho Pródigo da Bíblia Sagrada. Eu a ouvi e retirei-me para meu quarto onde rezei o terço. E ela morreu. Pouco tempo depois ela morreu. Disseram de mim os parentes que eu ia ser a pessoa que mais falta dela sentiria. Eu senti na verdade foi saudade dela, e sinto isto até hoje. E eu vejo muita diferença entre falta e saudade. Hoje minha irmã caçula é quem cuida de mim. E segundo palavras de uma pessoa: "Cuida direitinho!". Minha mãe não era de nos pregar muito o bom comportamento. E por isso me disse um dia: - Com você eu não me preocupo, você sabe se comportar. E, no dia do velório, vindos de lá, eu disse a m...

CHEGAR A SER

Como eu dizia, existem entre os escritores, todo tipo de escritor. Veja-se entre os homens que não escrevem a variedade de personalidades diferentes. Pois é, eu então me vejo aqui na condição de escritor. De certa forma já encaminhado ao reconhecimento. Claro, faço parte de três Academias de Letras. Uma do Rio Grande do Sul, outra do Rio de Janeiro e a última de Minas Gerais. E por isso estou contente. Foi uma dura conquista. Eu nem contava com tanto.  E já vai para mais de vinte anos que escrevo e publico. E tudo começou comigo menino, na minha terra natal, sonhando em ser escritor. No ginásio de lá havia um Grêmio Literário onde os alunos publicavam seus escritos. De repente acabaram com ele. Eu prossegui meu caminho. Fui aluno de uma escola onde se nos davam o segundo grau, e nela havia o Albatroz. Eu não consegui nada no Albatroz. Era uma publicação muito hierarquizada, onde os alunos que contribuiam com ela, estavam no último ano do curso.  Vim para Belo Horizonte, acompa...

EU E OS LIVROS

Quando eu era menino eu sonhava em ser escritor. Não precisava ser badalado. Porque este tipo de escritor, existe. É aquele escritor que não sai das boates bem frequentadas. Bem frequentadas eu digo por gente de dinheiro, que é certo que vai sair nas colunas sociais. Eu não tenho nada contra as colunas sociais. Elas são até úteis, porque além de escritores que frequentam, existem editores que lá vão para facilitar seus negócios. E nestas boates, que eu saiba, não há nada de mais. Mas eu me badalar? Nunca. Eu gosto de preservar a minha intimidade. E não vai nisso nenhuma condenação a quem quer que seja. Estabelecido este ponto. Se eu for levar em conta a classificação dos críticos, eu só conheci um. E ele me disse que eu sou, enquanto escritor, pequeno. Eu me delicio com esta pequeneza. Porque na minha formação intelectual, eu levo em conta é o tamanho humano de uma composição. E isso a gente nota é lendo. Agora, se eu mereço ser lido, aí são outros quinhentos. Porque a orientação dos l...

A ALMA DO TORCEDOR

 Os homens e as mulheres vivem em sociedade, isso é certo. Mas de onde eu vim eu notava nas pessoas o desejo de serem os melhores. E o que se faz para serem os melhores? Detalhes eu não sei. Mas, em suma competem. O de que me queixo é que nem sempre a competição é sadia. E o que eu chamo de competição sadia? Para mim, competição sadia é aquela que como nos esportes se vê o antagonista vencido ter a nobreza de ir lá e cumprimentar o vencedor. Alguns, chega um tempo, em que se retiram da refrega com as forças exauridas. E vão para a arquibancada sossegadamente a ver se reconhecem onde falharam. Esta também é uma nobre atitude. Agora vou falar de mim, um pouco. Sou um homem que não guarde mágoa. Nem ressentimentos. Nem saudades de rivalidades. Claro, porque numa competição o que se dá é que podemos chamar aquele com quem competimos de rival. E vim para cá, acompanhando minha família, procurando sossego e encontrei. O modo meu de ver a sociedade como competitiva, pode até ser equivocad...

COMPETIR NO TRABALHO?

Me pergunto: competir no trabalho? Significa alguma coisa? Na verdade significaria se fossem abertas vagas para, por exemplo, cargos de chefia. Mas, ali mesmo no trabalho há vários modos de sobreviver que não seja competir. Mas, competir no trabalho? Passados estes anos todos desde que não trabalho mais, acho que não vale mais à pena. Por que? Simples de responder: olha-se as notícias do povo miserável passando fome e frio. E Deus nos abençoe. E tenho dito.

BRINCANDO DE ESCREVER

 Meu pai lia muito e gostava de estudar. Pouco antes de morrer, deixou em sua mesa de trabalho alguns escritos que eu li. Eram escritos bem à moda daquele tempo dos anos 60. Bastante psicodélicos. Eu estava no ginásio e ali nascia minha vontade de seguir a carreira das letras. Mas, antes eu tinha de me arranjar na vida, ou seja, me colocar profissionalmente. E assim foi. Trabalhei intensamente. E enfrentei por último um dos males do meu tempo. Que é a acirrada competição entre os pares de uma profissão. E acabo aqui pensionista. E escrevo, e andei me perguntando porque escrevo. E me respondi, quase sem querer, que venho aqui e me vejo brincando de escrever. Se ainda não viram esta expressão: brincando de escrever, eu explico. É que tenho um primo que durante certa parte da vida dele, escondia seus afazeres. E levava uma vida bastante regalada. E chegava lá em casa, para nos ver, e contava;  - Estava ouvindo rock, e os músicos fazem aquilo brincando. E hoje acordei, e no sistem...

PRECISO LER MAIS

Realmente preciso ler mais. Olho os livros na minha estante, são inúmeros. E, por que os tenho? Querem uma resposta sincera? Lá vai: é porque os livros para mim são alimento do espírito. E são escritos por pessoas que dedicaram parte do seu tempo para nos dizer algo. Agora se esse algo é válido ou não, nós mesmos é que devemos saber. E é lendo que vamos tendo nossa paternidade espiritual. Eu não vou dizer aqui quem é meu pai espiritual. Que vim foi para reclamar de um fenômeno que está acontecendo nas letras. Quiçá eu esteja enganado. Mas é que escritores e escritoras estão escrevendo o que bem entendem. Não é esta uma condenação moral, nem de identidade. Não é nem mesmo uma condenação. Eu estive lendo uma antologia de que participei e sai da leitura com uma péssima impressão. Não sou nenhum número um das letras. Quanto menos de Filosofia.  Mas estou preferindo ler os velhos autores, alguns até já falecidos, tanto que não podem se pronunciar. Mas existem escritores e escritoras que...

CONFLITO DE GERAÇÃO ( FINAL)

Depois que eu assumi perante minha mãe que eu me casar fora um erro, ela ainda me elogiou. Disse-me: - Você meu filho é melhor que seu pai. Eu olhei para ela e estava tristonho. Mas pedi a ela a bênção e me retirei para o meu quarto. Me deitei, eu mesmo rezei um pouco, e fiquei pensando na vida. Meu  pai tinha sido um homem muito ciumento. Ciumento ao extremo. E minha mãe, sempre ali, vivendo ao lado dele, segurando barras inclusive dele. Eu pensei é que se ele tivesse procurado reconhecer o inestimável valor de minha mãe... Mas, a vida é travessa. Travessa até demais. Detesto pensar e dizer que a vida é cruel. Como costumam dizer alguns. E sabem porque a vida é travessa? Porque ela está aí é para ser vivida. Mas não vivida com muita fome. A gente tem que ir trilhando devagar o caminho da vida. E como dizia um professor meu de Filosofia, o homem aprende até na hora de morrer. E é verdade. Já que nós aprendemos no percurso de nossas vidas, podemos aprender com os nossos erros. Tanto...

CONFLITO DE GERAÇÃO

Eu vivi o meu conflito de geração. Minha mãe era católica e casada. Teve com meu pai sete filhos. E ao morrer meu pai, ela não se casou de novo. E morreu viúva, declinando o nome de meu pai onde ia. E eu o primogênito dos homens entre meus irmãos, me casei e me divorciei. Por um dado da vida, vim viver junto com minha mãe, na mesma casa. Hoje considero minha mãe uma grande alma. Bondosa ao extremo, mas ela quis conversar comigo antes de partir. E o assunto: meu casamento. Quando me divorciei eu fui morar numa pensão. Num dado dia lá aparece minha mãe dizendo: - Vim te buscar. Segui com ela para casa. Eu não tinha intenção de abandonar ninguém. É que eu estava com um problema para ser resolvido. E, diplomaticamente, o resolvi sem sair da casa de minha mãe. Eu tinha que ir ao fórum. E fui ao fórum, acompanhado de minha advogada. E de lá voltei para minha mãe divorciado. Naquela época minha mãe não me rejeitou. Aliás não me rejeitou nunca. E disse, pois ela sabia que eu tinha tido uma fil...

A QUESTÃO DO AUTOCONTROLE

Vem se aproximando o mês de setembro. Espero que com ele o sol venha e o frio diminua. Pois o frio já foi tempo que me fez bem. Era no tempo em que eu trabalhava. Eu me tornava um trabalhador mais produtivo. E o chefe me estimulava assim como a todos os outros trabalhadores. Mas atualmente o frio não me está sendo nada conveniente. Minhas pernas se locomovem com mais dificuldade. E eu aproveito o meu tempo aqui escrevendo. E escrevo assentado diante do computador. Mas o assunto de que quero falar hoje é a questão do autocontrole. Na minha opinião todos as pessoas destes nossos tempos deveriam se preocupar em ter autocontrole. Eu não sou a pessoa mais indicada para aconselhar sobre o assunto. Mas falar e escrever nós podemos, e é assim que surgem as sugestões. Existem profissionais de toda espécie para ouvir e até indicar os caminhos para uma pessoa com problemas. Eu mesmo já passei por sérias crises da existência que me levavam a por em dúvida algum conhecimento teórico e até mesmo prá...

MEU PAI

Meu pai foi um homem incompreendido. E o é ainda hoje. Pois ouvi de muitos falares que ele não era bem quisto. E sei que ele tinha amigos, senão colegas. Ele exercia uma difícil profissão, a de fiscal da previdência social e era muito a favor dos pobres. Na profissão dele ele podia defender os pobres. Acertava junto à previdência os documentos dos trabalhadores pobres para que tivessem assistência de saúde. Hoje as coisas melhoraram muito. Nós todos, inclusive eu, temos proteção na nossa saúde. De uma forma ou outra. E o nome da profissão de meu pai até ficou melhor. Agora é Auditor Fiscal. De maneira que com o passar do tempo nós vamos podendo ver as oportunidades todas melhorarem. Vejam-me, pude aposentar-me e tornar-me um escritor. Agora se sou um escritor pequeno, como me disse um homem com mais história pessoal nas letras, isto me é indiferente. O que me importa é que sou um escritor feliz. Li muito no decorrer da minha vida. E li nalgum lugar que muitos homens escreveram para nin...