SOMOS PEQUENOS

 A despedida de minha mãe, em relação a mim, foi mais ou menos longa. Estava eu sem posse alguma, e ela me disse:

"- Meu filho, um dia eu vou morrer."

E por que ela me disse isso? Simples, verão ao me ler. Eu vivi no mundo e me vi ali, divorciado, sem ter para onde ir, nem mesmo onde morar. Ela, minha mãe, me acolheu. Me deu morada, a mim que via o mundo naquela época, final do século XX, como um mundo onde valia a visão materialista. Mas a visão do materialismo vulgar, como falam os marxistas. Não era o caso, o caso é que as pessoas sempre estão querendo mais posses. E olhava o mundo, e a quantidade de desvalidos só aumentava. Foi quando ela me disse:

- Meu filho pródigo, ouça, somos muito pequenos.

E me pediu, depois que ganhei meu segundo prêmio literário:

- Não escreva nada agora.

E eu obedeci. À minha mãe eu devia obediência. E agora que minha irmã caçula é minha tutora, a quem mais eu devo obedecer, à minha irmã caçula.

E aqui estou obedecendo. Mas minha irmã caçula me permite o catolicismo. Quer dizer eu tenho consciência religiosa, e tenho a liberdade de crença, garantida pela Constituição Cidadã, a Constituição de 1988. E posso dizer sou imensamente grato a ela, minha irmã caçula, como a todas as pessoas que me ajudaram e as que ainda hoje me ajudam. E minha mãe, católica, explicou:

- Somos pequenos diante diante de Deus.

E somos mesmo. E tenho dito. 

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