EU ME AMO

 Fui tomar café da tarde e lá encontrei a irmã da D. Zózima. D.Zózima é a empregada aqui de casa. E uma vez eu a chamei de empregada e ela me respondeu:

- Verdade verdadeira.

Ela às vezes é divertida, mas no mais das vezes é muito séria. Para dizer a verdade ela é mesmo muito séria. Se divorciou outro dia mesmo, e agora vai casar a única filha que ela tem. Depois do café da tarde, fiquei só, fiz hora até poder jantar. E enquanto jantava eu pensava:

- Eu me amo.

D. Zózima e a irmã dela, já tinham se retirado. E como estou adoentado ela fecha a casa por fora e leva a chave. Fiquei pensando então em mim. Eu passei por muitos sofrimentos. Só digo isto agora para que possam imaginar o que passei. E foi conversando exatamente com D.Zózima que a estes tormentos eu me referi. E nesta conversa, eu disse:

- Mas eu não gosto de remoer as dores. Não remoo dor nenhuma. E vou vivendo. E pelo que sou e chego a ser hoje, um escritor, três vezes acadêmico, tenho vida boa. Ou como disse dona Zózima uma vez:

- Dornas, a sua vida é excelente.

E é mesmo. E não me julguem mal quem me ouve dizer hoje que estou adoentado. Porque quando eu chego a dizer é só para explicar, sem mais detalhes. E eu disse hoje:

- Trabalhei até adoecer, e graças a Deus eu tinha mãe viva.

Trocando esta frase em miúdos, ela significa que no início estive mal e minha mãe cuidou de mim. Hoje assistência é o que não me falta. Tenho uma tutora e cuidadora, e aqui em casa, nunca estou só. D. Zózima é uma verdadeira mãe para mim. Me faz tudo o que  peço. E o que eu quero mais. Ela mesma me disse:

- Você tem tudo o que precisa, e um pouco mais.

E é verdade, o que esta frase diz, é outra verdade verdadeira. Agora, para encerrar esta postagem, vou tentar dizer a que vim. Tudo o que escrevi nela é uma pequena homenagem a Dona Zózima. Deus seja louvado. E tenho dito.

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