SEI LÁ, SENTI QUE É HORA
Não aconselho a ninguém fazer como eu fiz. Mesmo porque eu rumei sem rumo a vida toda. Comecei com uma simples carta que era endereçada assim:
"A quem interessar possa."
Claro que hoje eu compreendo o endereçamento da carta. O homem que a escreveu viu diante dele eu, que era um menino precisando de emprego. Podem não acreditar, mas eu vinha da minha terra natal onde meu pai faleceu. Não falo do falecimento dele para comover, mas para lembrar que um pai orientando é importante. Minha mãe logo arranjou colocação como enfermeira que era no duro mercado de trabalho. Meu pai tinha deixado a casa. E nós éramos sete filhos que ela criou e orientou. A história é longa e eu a acho bonita. Pois éramos todos responsáveis. E vimos que o mundo não perdoa. Mas aprendemos a lição de estar nele, e hoje estou aqui.
Eu perdi três irmãos. Entre irmãs e irmão. Por último perdi minha mãe. Por último estive adoentado e melhorei bastante estes dias. Devo minhas melhoras a muita gente e aproveito a oportunidade para agradecer sinceramente a todos.
Mas chega de falar de coisa ruim. O que eu fiz é que fui ao mundo e Deus me recompensa como sempre me recompensou. Acabo aqui com apoio da família e uma magra pensão. Mas para que maior remuneração. Eu considero muito as pessoas que conseguem ver além de si. E que amam ao próximo conforme os EVANGELHOS.
Estou deliberadamente escrevendo esta postagem para agradecer ao mundo em que vivi , onde conheci pessoas muito boas e nem todas ricas. Mas todas, para usar uma expressão que aprendi aqui, ricas de Deus. E eram e são realmente ricas de Deus.
Saber escrever, eu digo como o poeta: a escola me deu gramática e vontade de ler. Sempre li muito e ainda leio, na medida da possível. Amei e desamei. Mas vivo em paz comigo mesmo. Tiro um pouco da pensão e compro livros todo mês. Também pago a alguns editores que sonham para publicarem textos mesmos. A recompensa que espero, confesso, pode ser pretensiosa, mas é ser lido. Mas que o ser lido venha espontaneamente. O esforço que faço para notificar os outros de que escrevo é doando de vez em quando as antologias e coletãneas em que colaboro. Mas isso não quer dizer, de modo nenhum, que tenho desejos escusos no escrever. E tenho dito. E que Deus me abençoe.
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