CONFLITO DE GERAÇÃO
Eu vivi o meu conflito de geração. Minha mãe era católica e casada. Teve com meu pai sete filhos. E ao morrer meu pai, ela não se casou de novo. E morreu viúva, declinando o nome de meu pai onde ia. E eu o primogênito dos homens entre meus irmãos, me casei e me divorciei. Por um dado da vida, vim viver junto com minha mãe, na mesma casa. Hoje considero minha mãe uma grande alma. Bondosa ao extremo, mas ela quis conversar comigo antes de partir. E o assunto: meu casamento.
Quando me divorciei eu fui morar numa pensão. Num dado dia lá aparece minha mãe dizendo:
- Vim te buscar.
Segui com ela para casa. Eu não tinha intenção de abandonar ninguém. É que eu estava com um problema para ser resolvido. E, diplomaticamente, o resolvi sem sair da casa de minha mãe. Eu tinha que ir ao fórum. E fui ao fórum, acompanhado de minha advogada. E de lá voltei para minha mãe divorciado. Naquela época minha mãe não me rejeitou. Aliás não me rejeitou nunca. E disse, pois ela sabia que eu tinha tido uma filha, e que me impediam de ver minha filha:
- Meu filho, ainda bem que foi uma filha só.
E eu divorciado vi minha mãe adoecer. Durante o período da doença de minha mãe é que eu vi que o meu divórcio estava resolvido para mim. Mas não para minha mãe. Ela me chamou e me perguntou:
- E aquele casamento louco seu?
Eu disse a ela:
- Mãe, não foi um casamento louco, não. Foi um erro meu.
- E você?
- Eu reparei o meu erro com o divórcio.
Minha mãe então me consentiu o perdão materno completo. E foi a partir daí que eu pensei comigo:
- Ainda bem que eu pude dizer a minha mãe que aquilo de casar foi um erro meu.
E hoje tenho certeza convicta que minha mãe não cobriu erro meu. Ela é e foi uma grande alma. Diante dela eu assumi meu erro maior na vida. E é importante a gente não errar. Porque carregar um erro é pesado. E vivi o meu conflito de geração. E tenho dito.
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