FILÓSOFOS AMAM
Eu cursava Filosofia. Sentimentalmente estava para baixo. Até que conheci uma moça de quem me aproximei. Me aproximei dela por uma destas sortes do acaso. E isto resultou em um merecimento da vida, o de nos apaixonarmos. E acabamos ficando noivos.
O pai dela simpatizou comigo. Isto foi bom para mim, eu e o pai dela fizemos camaradagem. E ela conversava muito com o pai dela.
Nosso noivado foi durando, atravessando obstáculos naturais da vida. E eu cada vez mais entregue a ela. Dizem lá na minha terra que uma mulher faz o homem. Eu cria nisso, mas nunca paguei para ver. Desta vez, porém, lá estava minha noiva a me satisfazer cada vez mais. E ela saiu Filósofa. E eu saí Literato. Estive com ela, e ela me disse:
- Não tenho queixas.
Quer o leitor saber a que vim? Simplesmente a dizer que não me apaixonei outra vez. Vivo aqui comigo e já sou idoso. E nem namorada eu tive depois dela. Mas saudade eu tenho dela. E saudade, como a definem os que sabem o que é, é o amor que fica.
Não, não revelo o nome daquela paixão. Sei que ela se casou. Nossos costumes o permitem. E não vai nisso nenhum relaxamento de costumes. Eu a deixei intacta, mas um noivado que se diga de respeito, tem lá os seus contatos e as suas proximidades. Os contatos meus e dela se estabeleceram pela palavra. As proximidades foram as dos corpos, o meu e o dela. Mas não foram, estas proximidades, nada escandalosas. De modo que posso dizer que posso dizer que foi o noivado mais tranquilo. Eu e ela, líamos na época poemas de Adélia Prado. E eu, outro dia, num restaurante me lembrei de Adélia Prado. Estávamos eu, minha irmã e um irmão almoçando. Quando o assunto caiu em estudos que fiz. Aí nós nos lembramos que Adélia Prado ganhou o Prêmio Camões. Então eu disse:
- Minha parenta, esta autora. Ela é literata e filósofa.
Minha irmã me disse:
- Gostei do parentesco, tem algo de você.
E tenho dito.
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