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Mostrando postagens de dezembro, 2024

UM CANTO NOVO

Um canto novo eu busco em mim. Os velhos poetas que o meu tempo celebrava e eu aplaudia se foram. Venho eu com novos companheiros a cantar na estrada desta vida. Algumas palavras eu pronuncio em novo ritmo. Não sei, e não proclamo assim tão alto, só me anuncio pois eu preciso também de aplausos. Claro que  terei de mostrar a competência do que faço. Mas agora digamos que o que canto pode ser o amor de um velho menestrel pela  princesa em seu castelo. E os que conquistam a sua mina de ouro me desprezem, como nos velhos tempos. Novo só serei eu. Poetinha dirá a candidata a rainha. E sorrirei para ela, agradecido. 

A IDADE AVANÇADA

Estou próximo aos meus setenta e um anos de vida. Já passei por tantas coisas na vida... Um casamento fadado ao fracasso e um divórcio. O desemprego e se não fosse minha família, seria a fome e o frio. E novamente o emprego e a luta pela sobrevivência. E eu sempre ali, com meus livros! Lendo sempre e escrevendo quando podia. Um sonho, o de ser escritor. Minha mãe pensando que aquela mania de livros me impedia de ganhar dinheiro. E não era nada disso. Com muita resistência minha quanto aos livros um dia eu ouvi minha mãe dizer: - Agora, o senhor está satisfeito! É que eu tinha ganho um diploma que dizia de mim: PERSONALIDADE LITERÁRIA 2019. Hoje rio bastante disto. E aqui estou escrevendo. Escrever, dizem, qualquer um escreve. Mas eu digo, é preciso que as condições para a escrita sejam as ideais. E que estejam satisfeitas. A empregada doméstica que me serve, ri-se junto comigo. Em relação àquele "Agora, o senhor está satisfeito." E é aí que eu digo: - Quanto barulho por nada!...

MENTIRAS E ESTÓRIAS

 Lá vinha eu, com meus cadernos na pasta, voltando do colégio depois das aulas. Contava uma lorota em que o personagem era um tio meu, supostamente rico. E o menino ao meu lado, ruivo e filho do dono da sorveteria, não se aguenta e me dá um murro no estômago. E o que eu aprendi? Que não se deve contar lorotas de jeito nenhum. E hoje aqui, rio eu de mim mesmo. Sei lá o que eu contava.. E eis o que aprendi: que não se deve contar mentiras de jeito nenhum. Meu tio acabou sendo esquecido na estória minha, hoje tudo o que sei dele , meu tio é que meu tio morreu e isso é verdade. Tento inventar estórias baseadas na verdade. E isto se chama na literatura de ficção. Então intulo o que acabo de contar de ficção que cometi na juventude. Eu devia ser um pequeno talento juvenil, e o menino ruivo apenas um invejoso. Porque os há, os invejosos de talento alheio. Que não apreciam nenhuma estória, que não apreciam nenhuma estória imaginada. O que o menino ruivo poderia ter feito: ter-me dito para ...

HÁ GÊNIOS POR AÍ

 Escrever diariamente minhas notas, aqui, me custa uma parcela de tempo. Tempo que gasto com prazer. E hoje eu ainda não sei sobre o que escreverei. Então vou improvisando minhas palavras. Que não coloridas, nem mágicas. Antes o fossem, assim eu seria deveras um feiticeiro. Sou um simples mortal que não quer glória, se tiver uma porção de fama, que seja como blogueiro. E assim me construo diariamente. O que me falta é a certeza de que escrevo para alguém. Mas, pulemos este ponto. Se algum dia me vierem leitores, ei de me alegrar. E porque não? Mas, convenhamos, palavras que afinal gastas com o tempo, o vento levará. Não devemos dizer que não. Pois entre qualquer um numa livraria, e lá verá a quantidade de livros à disposição da escolha do leitor. Tudo palavra em vão? Claro que não. Senão ninguém se lembraria de William Shakeaspeare. Claro que sei minha estatura. Não tenho a genialidade do vate inglês. E não pense alguém que estou para brincadeira. Que não estou. Acredito até que qu...

DAR TEMPO AO TEMPO

 Onde os amigos? Já os tive. Ou pensei que os tive. Na verdade, os amigos na minha vida só vieram quando eu podia ir à farra com eles. E como iam à farra, eles. Hoje os meus verdadeiros amigos são os livros que leio. E até foi lendo-os que me imaginei escritor. E aqui estou. Um tanto sem assunto hoje, mas vou fazendo meu arroz com feijão nas letras. E me imagino lido, se o sou não sei. Mas ser lido às vezes para uma estrada onde nos condicionamos bastante. Claro só o fato de escrever, para um autor de sucesso, já é condicionado pela necessidade de inovação. Inovação na minha escrita, para saciar o leitor. A não ser que conseguimos cativar leitores fãs. Os leitores fãs são os melhores. Melhores para o nosso ego. Olha, estou escrevendo para alguém! Se é um conto o que escrevemos, procuramos a cada forma, trazer um tom de novo. Até na poesia podemos inovar, desde que a inovação parta de nós. Isso que estou escrevendo aqui nesta postagem, eu não sei o que é. Fiquei bastantes dias sem v...