AMAR E DESAMAR

Conversando com um homem formado e amante das artes, ele me diz sobre a poesia:

- É tudo mentira.

Eu penso comigo que ele deve ter sofrido alguma decepção com a literatura. Porque eu digo:

- A poesia também tem direito à ficção.

Mas, deixemos isto de lado. Ou não. É melhor batermos ainda neste assunto. Uma poesia escrita pode ter o fito de querer ser apenas bela. Nela então achamos que a sua verdade é a beleza. Para uns é realmente bela, para outros não. Mesmo que seja uma poesia de amor, com o assunto sendo tão depreciado na praça de consumo de poesia de amor, porque o amor é um assunto sublime e muitos o tratam de maneira vulgar que o homem em questão, tendo brigado com a namorada, acha que o amor não existe. Aí sim, ele pode dizer que é tudo mentira. Ele só amava aquela namorada, e, como uma bolha espetada e desfeita, o amor ele só o via retratado nela. Então naquele momento o amor por ela acabou. Admitamos que sim, que era tudo mentira. Só que ele não explicitou. E eu nunca soube se era assim.

Pobre homem, aquele, que se viu sem amor. Certamente rasgou todos os poemas de amor, o que é uma pena.

Mas, convenhamos, os poetas continuaram a escrever as suas poesias de amor. Que talvez até aquele homem ache outro amor. Ou outra maneira de amar. Digamos até que a outra maneira de amar é escrever poesias de amor. E inclusive uma poesia de decepção amorosa, demonstra que ele ama. 

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