ESPERAR A INSPIRAÇÃO
Quando me ponho com a caneta sobre o papel, eu espero a inspiração vir. Sonho, penso, imagino coisas. E quando a inspiração me vem, me ponho a transpirar. Claro, não há trabalho sem suor. E suando, molhando a camisa, eis-me aqui. O resultado do trabalho só saberei depois. Às vezes eu mesmo me aprecio. Vejo beleza no que escrevo. Às vezes espero olhos alheio para que me digam se gostaram.
E é assim o meu lado das letras. Nunca consegui ver de maneira diferente o meu modo de trabalhar. E aqui estou a escrever, esperando que Deus me ajude. É, porque acredito em Deus. E oro sempre antes de começar.
Eu julgo que escrevendo estou conversando. E acho que julgo corretamente. Porque conversar não é prosear? E escrevendo que não seja em versos, o que faço? Faço prosa. Haverá o crítico que dirá que me faltou qualidade. Aí eu rasgarei e começarei tudo de novo.
E não é assim em todos os outros trabalhos. Porque nos outros ofícios há uma rotina. A rotina que sabe do resultado. E a maioria dos outros ofícios no final o produto é útil. Aqui o crítico me perguntará:
- E não é útil o prosear. E não é útil o versejar?
Eu timidamente direi que sim. Mas só para alguns. Antigamente se dizia que só é útil para os seletos. Veio a moda e disse que só é útil para os cultos. E vieram outros tempos e a estética é quem manda. E se eu for afeito à estética procurarei escrever belamente. E não sei o que mais. Isso se eu esperar a inspiração e a inspiração me vier. Então agradecerei a Deus.
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